Esquecer é um dom!

O fator esquecimento é muito menosprezado.
Por mais que eu tente não pensar, não vou conseguir esquecer. Assim como tantos outros dias vou lembrar da maioria dos passos que me levaram à glória, ou ao desgosto.
Claro que esquecer coisas importantes é algo ruim. Dependendo da situação pode ocasionar uma tragédia. Tipo: esquecer uma entrevista de emprego, ou esquecer que a entrevista estava marcada para outro horário, esquecer o dia do aniversário de alguem importante, esquecer do dia da prova, ou do dia de entregar o trabalho de conclusão, e tantos outros esquecimentos. Sejam eles casuais ou banais, esquecer algo acaba sendo um grande inconveniente.
Mas eu admiro os esquecidos.

 Mesmo tendo defeitos e muitas vezes sabendo quais são eles, são esses defeitos e as minhas qualidade que me tornaram isso que sou.
Mas as vezes tu se pega pensando em alguma qualidade que te falta. Aquela coisa que te faria uma pessoa 'melhor'. Afinal nós sempre imaginamos que aquilo que não temos nos transformaria em algo melhor.
Eu gostaria de esquecer. Um sentimento simples porém imensurável. Felizes são aqueles que esquecem.

Eu não esqueço. Não tenho uma memória eidética, como o Sheldon do seriado Big Bang Theory, mas me lembro de fatos relevantes de toda ocasião que vivencio. Salvo as noites onde me esbaldo em whiskys e tequilas, a maioria dos fatos ocorridos continuam a transtornar a minha mente.
Sabe quando detalhes que deveriam ser insignificantes te tiram a razão? E ficam martelando por dias e dias a fio. Eu não gosto de lembra-los.
Eu curto viver uma vida doida, sem sentido, sem regras e sem se importar com as consequências. Mas quando tu não consegue esquecer, tu não consegue aproveitar os nuances da momento.

Sinceramente, os dias que mais me dão satisfação em estar vivo são aqueles que tu abre o olho e tu tá com a vista turva, não consegue distinguir nada visualmente, somente cheiros, tatos, etc. Ai tu vai acostumando o olho, as vezes tá escuro demais, as vezes claro demais. As vezes é só preguiça de se concentrar. Mas tu já acordou, e está com fome, ou precisa ir no banheiro, ou pegar algo pra beber, tanto faz. Dai tu força a vista, pra uma melhor adaptação. E é como uma cena de guerra, aquela dos filmes clássicos, a poeira vai assentando, tu olha ao redor e não reconhece nada. À tua direita tem uns corpos espalhados pelo chão, todos imovéis, congelados. Tu reconhece alguém pelo cabelo, ou pelo tênis atirado no canto do quarto (ao acordar a gente sempre acha que está em um quarto). Ai tu vira a cabeça e visualiza um corpo quente e próximo. "Hmmm" é o primeiro pensamento que vem na cabeça. "Me dei bem hoje!"
Depois que a poeira assentou, a visão está melhor, e tu já identificou um, dois corpos conhecidos, tu começa a pensar: 'onde estou?' e 'como faço pra ir no banheiro?'. Talvez não seja o primeiro pensamento de todo mundo. Nem de todo bebum. Também não é o meu primeiro pensamento. Mas são os pensamentos mais recorrentes nessa situação. O meu primeiro, depois de uma noite de farra é sempre "onde estou?" e logo depois é "como vou embora daqui?"
Mas são raras as situações que isso ocorre. Geralmente eu sempre sei onde vou, onde fui, com quem estive, com quem estou, as merdas que fiz, as pessoas que conversei, os tragos que tomei e etc, etc e etc.
E eu preferiria não lembrar.
Como descrevi acima, é tão bom abrir os olhos e não saber de nada.
Eventualmente tu vai descobrir o que aconteceu.
Sempre.

Porque sempre tem alguém pra contar as peraltices que vossa excelência aprontou. As vezes por ter feito merda, as vezes por realizar um feito inacreditável, as vezes só pra se arriar, as vezes só pra rir. E isso não é ruim. Juntar fragmentos diversos, com opiniões aleatórias, e fatos insolúveis, é como montar um quebra-cabeça, como resolver um enigma, um puzzle. Eu acho muito divertido as raras vezes que não lembro. Porque?
A lembrança de uma noitada vem sempre acompanhada de culpa.
Porque a primeira coisa que vem à cabeça daquele que lembra de tudo são as coisas 'erradas' que fez. Aspas porque é assim que tu sente. Porque tu alterou o próprio comportamento, agiu diferente do usual, e se sente culpado por isso. Talvez tu tenha feito alguem feliz, sendo mais estravasado, ou tenha detonado alguem que não merecesse, mas a culpa vem a galope e te dá um soco na cara, tão logo tu acorda.
Ai, não existe aquela emoção, tu olha pro lado e sabe quem ta ali, olha pro corpo quentinho do teu lado e lembra como aconteceu. Se foi bom, tu coça a barriga e diz: "- eu sou foda!", se foi uma merda: "- puta que pariu" E aquilo permeia tua cabeça por dias, semanas, meses.
Até acontecer outro vez. Muda o foco, claro, mas as lembranças não se apagam. E, apesar de parecer óbvio, nessas situações tu não aprende nada. "De novo" começa a se tornar um pensamento corriqueiro.
E de novo, e de novo e mais uma vez porque, apesar de se lembrar de como tudo aconteceu, o teu mais forte desejo é que hoje aconteça diferente. Que hoje apareça algo inédito.
Ou simplesmente que tu não lembre como aconteceu!

Dia de chuva


Dia bom para organizar a mente, organizar o quarto e varrer um pouco a bagunça da vida pra debaixo do tapete.
Dia bom para fugir do estresse, do frenesi e das paranóias momentâneas que estão por ai.
Dia bom para curar as feridas, lavar a cabeça e deixar a fumaça espairecer.
Dia bom para tomar um bom vinho e jogar um video game.
Dia bom para deitar, se enrolar na cama e chorar, um tanto pelo passado, um tanto pelo futuro.
Dia bom para lagartear na cama, sabendo que esse dia feio foi feito pra dormir.
Dia bom onde, mesmo chovendo e frio, o por-do-sol não consegue se esconder.
Dia bom para arquitetar um revolução e rir malvadamente dos planos ousados.
Dia bom para perceber que nada dura para sempre, nem os dias chuvosos.
Dia bom para perceber que os melhores dias nem sempre tem sol.
Dia bom para uma fodinha bem pegada.
Dia bom para pegar mais um vinho, sentar e começar a escrever, deixando as palavras guiarem.
Dia bom para se cansar do mundo!


Ou vai acabar tudo num conto.

Voltar para cá sem mais o compromissos do noticiário.
A vida segue e eu, embora não esteja mais entregando jornais, continuo a postar com a cumplicidade daqueles que ousaram desfrutar desta página.
Um blog muito mais pessoal do que profissional. Um apunhado de constatações sensoriais e perceptivas, muito maior que os dramas sofríveis do trabalho.
E entre tantas idas e vindas, entre empregos exaustivos e diversões paralelas... Simplesmente um mero devaneio passageiro.

- Melhorando?
- 42 de 60.
- Acho que é uma boa probalidade.
- Falta a dissertação. Ou vai acabar tudo num conto!

Into The Unknown

É a melhor coisa que se pode esperar. Absolutamente nada!
Agora deixo esse lugar, deixo essas frases, deixo minha mente urbana, e parto para o desconhecido.
Não sei o quê vou encontrar. Tampouco o que irá acontecer.
Essa dúvida mete medo em muitos.
Eu, dou gargalhadas e digo vem... It's coming.
Que meu próximo registro traga a novidade, para o bem ou para o mal.
Me despeço com Ramones! Com uma daquelas músicas que dizem muito e, em poucas palavras, deixam a vida mais simples e mais fácil.
Divertam-se...


PS: Eu estive nesse show épico no antigo Bar Manara-POA

Capitulo III


- Por que tu acha que não iria conseguir?
- Porque eu sempre me fodo.

“- Why you crying Smeagol? Gollum, Gollum.
- Cruel man hurts us, master tricks us.

Olhe ao seu redor, não há ninguem por perto. Talvez os ecos que saem da sua boca.
Olhe para o espelho. Somente sua própria imagem refletida. Dentro do quarto, computador ligado, música alta.
Já passam das 02 A.M., porém uma voz silenciosa te questiona. Ela silencia enquanto pensas, emudece enquanto escreves. Porém quando falas, mesmo que liricamente, balbuciando algum som do Nirvana, ela responde.
Olhe pros lados, olhe pra trás, pra fora da janela ou dentro de si. Nada. Nem um ruído.

- Talvez eu esteja louco. - Diz, em voz alta.
- Acho que surtado seria mais apropriado. - Essa frase ecoa pelo quarto, apesar de seus labios não terem se mexido.
- Será que eu tenho dupla personalidade, afinal sou geminiano...
- Não viaja, tu não é Tyler Durden.
- Então, porque eu converso com uma voz que eu não sei da onde vem?
- Certamente foi porque tu enlouqueceu.
- Negativo! Não como cocô e nem rasgo dinheiro.
- Loucura não é necessariamente ter um disturbio mental...
- É stress?
- Porque tu acha isso?
- Eu vi Me, Myself And Irene.
- Não pira, tu não é o Charlie...
- Charlie Harper?
- Hank... Desculpe, lembrei da bebida e confundi.
- Eu também pensei no trago. Particularmente uma ceva bem gelada.
- Concordo!


- Voz, por acaso tu é minha conciência?
- Não delira, tu não é a Dolly...
- Mas eu tô descendo o abismo e está escuro pra caralho.
- Estas com medo?
- Se eu conseguisse pesar o medo diria que tá valendo.
- Não é possivel que não exista nada de coragem aí...
- Novamente, se desse pra pesar, diria que os culhões vieram nos dedo.
- Faz parte...
- É que, tipo assim, eu sei o quê tenho que fazer...
- O quê falta?
- Sei lá, um pouco de vontade, um tanto de disposição, outra parte de interesse...
- Acho que você precisa de uma namorada!
- Obrigado Cap. Jack Sparrow.