Capitulo III


- Por que tu acha que não iria conseguir?
- Porque eu sempre me fodo.

“- Why you crying Smeagol? Gollum, Gollum.
- Cruel man hurts us, master tricks us.

Olhe ao seu redor, não há ninguem por perto. Talvez os ecos que saem da sua boca.
Olhe para o espelho. Somente sua própria imagem refletida. Dentro do quarto, computador ligado, música alta.
Já passam das 02 A.M., porém uma voz silenciosa te questiona. Ela silencia enquanto pensas, emudece enquanto escreves. Porém quando falas, mesmo que liricamente, balbuciando algum som do Nirvana, ela responde.
Olhe pros lados, olhe pra trás, pra fora da janela ou dentro de si. Nada. Nem um ruído.

- Talvez eu esteja louco. - Diz, em voz alta.
- Acho que surtado seria mais apropriado. - Essa frase ecoa pelo quarto, apesar de seus labios não terem se mexido.
- Será que eu tenho dupla personalidade, afinal sou geminiano...
- Não viaja, tu não é Tyler Durden.
- Então, porque eu converso com uma voz que eu não sei da onde vem?
- Certamente foi porque tu enlouqueceu.
- Negativo! Não como cocô e nem rasgo dinheiro.
- Loucura não é necessariamente ter um disturbio mental...
- É stress?
- Porque tu acha isso?
- Eu vi Me, Myself And Irene.
- Não pira, tu não é o Charlie...
- Charlie Harper?
- Hank... Desculpe, lembrei da bebida e confundi.
- Eu também pensei no trago. Particularmente uma ceva bem gelada.
- Concordo!


- Voz, por acaso tu é minha conciência?
- Não delira, tu não é a Dolly...
- Mas eu tô descendo o abismo e está escuro pra caralho.
- Estas com medo?
- Se eu conseguisse pesar o medo diria que tá valendo.
- Não é possivel que não exista nada de coragem aí...
- Novamente, se desse pra pesar, diria que os culhões vieram nos dedo.
- Faz parte...
- É que, tipo assim, eu sei o quê tenho que fazer...
- O quê falta?
- Sei lá, um pouco de vontade, um tanto de disposição, outra parte de interesse...
- Acho que você precisa de uma namorada!
- Obrigado Cap. Jack Sparrow.

Dessensibilização dos sentidos

A crise do escrever tem reflexos diretos com o maldito bem-estar, ou mal-estar... Longitude e latitude alinhadas atrás do azimute da vida.
Numa inconsciente falta de idéias tento me livrar dos sentidos, todos eles, e perceber o mundo ao meu redor. Talvez tenha ido longe demais. O trem da loucura só tem passagem de ida e a última estação e tão longe que tu não consegue mais voltar. Eu saltei do trem em movimento, me quebrei todo, mas mantenho, por enquanto, um quase-nada de sanidade.
Derivações potencialmente agravadas de um estado lastimável e incurável? Agarro com força as últimas cartas do baralho, mas elas se esvaem dos dedos, como fumaça no ventilador. Prego quadros na parede na tentativa de encontrar o que sobrou. O quê fazer quando as questões morais, as questões filosóficas e as questões sociais não fazem mais sentido?
Mude a cena e agonize no quarto vazio. Timbres melódicos, música urbana, clichê underground. Só a música sobra. Só RADIOHEAD entende. Enjoy...!