Esquecer é um dom!

O fator esquecimento é muito menosprezado.
Por mais que eu tente não pensar, não vou conseguir esquecer. Assim como tantos outros dias vou lembrar da maioria dos passos que me levaram à glória, ou ao desgosto.
Claro que esquecer coisas importantes é algo ruim. Dependendo da situação pode ocasionar uma tragédia. Tipo: esquecer uma entrevista de emprego, ou esquecer que a entrevista estava marcada para outro horário, esquecer o dia do aniversário de alguem importante, esquecer do dia da prova, ou do dia de entregar o trabalho de conclusão, e tantos outros esquecimentos. Sejam eles casuais ou banais, esquecer algo acaba sendo um grande inconveniente.
Mas eu admiro os esquecidos.

 Mesmo tendo defeitos e muitas vezes sabendo quais são eles, são esses defeitos e as minhas qualidade que me tornaram isso que sou.
Mas as vezes tu se pega pensando em alguma qualidade que te falta. Aquela coisa que te faria uma pessoa 'melhor'. Afinal nós sempre imaginamos que aquilo que não temos nos transformaria em algo melhor.
Eu gostaria de esquecer. Um sentimento simples porém imensurável. Felizes são aqueles que esquecem.

Eu não esqueço. Não tenho uma memória eidética, como o Sheldon do seriado Big Bang Theory, mas me lembro de fatos relevantes de toda ocasião que vivencio. Salvo as noites onde me esbaldo em whiskys e tequilas, a maioria dos fatos ocorridos continuam a transtornar a minha mente.
Sabe quando detalhes que deveriam ser insignificantes te tiram a razão? E ficam martelando por dias e dias a fio. Eu não gosto de lembra-los.
Eu curto viver uma vida doida, sem sentido, sem regras e sem se importar com as consequências. Mas quando tu não consegue esquecer, tu não consegue aproveitar os nuances da momento.

Sinceramente, os dias que mais me dão satisfação em estar vivo são aqueles que tu abre o olho e tu tá com a vista turva, não consegue distinguir nada visualmente, somente cheiros, tatos, etc. Ai tu vai acostumando o olho, as vezes tá escuro demais, as vezes claro demais. As vezes é só preguiça de se concentrar. Mas tu já acordou, e está com fome, ou precisa ir no banheiro, ou pegar algo pra beber, tanto faz. Dai tu força a vista, pra uma melhor adaptação. E é como uma cena de guerra, aquela dos filmes clássicos, a poeira vai assentando, tu olha ao redor e não reconhece nada. À tua direita tem uns corpos espalhados pelo chão, todos imovéis, congelados. Tu reconhece alguém pelo cabelo, ou pelo tênis atirado no canto do quarto (ao acordar a gente sempre acha que está em um quarto). Ai tu vira a cabeça e visualiza um corpo quente e próximo. "Hmmm" é o primeiro pensamento que vem na cabeça. "Me dei bem hoje!"
Depois que a poeira assentou, a visão está melhor, e tu já identificou um, dois corpos conhecidos, tu começa a pensar: 'onde estou?' e 'como faço pra ir no banheiro?'. Talvez não seja o primeiro pensamento de todo mundo. Nem de todo bebum. Também não é o meu primeiro pensamento. Mas são os pensamentos mais recorrentes nessa situação. O meu primeiro, depois de uma noite de farra é sempre "onde estou?" e logo depois é "como vou embora daqui?"
Mas são raras as situações que isso ocorre. Geralmente eu sempre sei onde vou, onde fui, com quem estive, com quem estou, as merdas que fiz, as pessoas que conversei, os tragos que tomei e etc, etc e etc.
E eu preferiria não lembrar.
Como descrevi acima, é tão bom abrir os olhos e não saber de nada.
Eventualmente tu vai descobrir o que aconteceu.
Sempre.

Porque sempre tem alguém pra contar as peraltices que vossa excelência aprontou. As vezes por ter feito merda, as vezes por realizar um feito inacreditável, as vezes só pra se arriar, as vezes só pra rir. E isso não é ruim. Juntar fragmentos diversos, com opiniões aleatórias, e fatos insolúveis, é como montar um quebra-cabeça, como resolver um enigma, um puzzle. Eu acho muito divertido as raras vezes que não lembro. Porque?
A lembrança de uma noitada vem sempre acompanhada de culpa.
Porque a primeira coisa que vem à cabeça daquele que lembra de tudo são as coisas 'erradas' que fez. Aspas porque é assim que tu sente. Porque tu alterou o próprio comportamento, agiu diferente do usual, e se sente culpado por isso. Talvez tu tenha feito alguem feliz, sendo mais estravasado, ou tenha detonado alguem que não merecesse, mas a culpa vem a galope e te dá um soco na cara, tão logo tu acorda.
Ai, não existe aquela emoção, tu olha pro lado e sabe quem ta ali, olha pro corpo quentinho do teu lado e lembra como aconteceu. Se foi bom, tu coça a barriga e diz: "- eu sou foda!", se foi uma merda: "- puta que pariu" E aquilo permeia tua cabeça por dias, semanas, meses.
Até acontecer outro vez. Muda o foco, claro, mas as lembranças não se apagam. E, apesar de parecer óbvio, nessas situações tu não aprende nada. "De novo" começa a se tornar um pensamento corriqueiro.
E de novo, e de novo e mais uma vez porque, apesar de se lembrar de como tudo aconteceu, o teu mais forte desejo é que hoje aconteça diferente. Que hoje apareça algo inédito.
Ou simplesmente que tu não lembre como aconteceu!

Dia de chuva


Dia bom para organizar a mente, organizar o quarto e varrer um pouco a bagunça da vida pra debaixo do tapete.
Dia bom para fugir do estresse, do frenesi e das paranóias momentâneas que estão por ai.
Dia bom para curar as feridas, lavar a cabeça e deixar a fumaça espairecer.
Dia bom para tomar um bom vinho e jogar um video game.
Dia bom para deitar, se enrolar na cama e chorar, um tanto pelo passado, um tanto pelo futuro.
Dia bom para lagartear na cama, sabendo que esse dia feio foi feito pra dormir.
Dia bom onde, mesmo chovendo e frio, o por-do-sol não consegue se esconder.
Dia bom para arquitetar um revolução e rir malvadamente dos planos ousados.
Dia bom para perceber que nada dura para sempre, nem os dias chuvosos.
Dia bom para perceber que os melhores dias nem sempre tem sol.
Dia bom para uma fodinha bem pegada.
Dia bom para pegar mais um vinho, sentar e começar a escrever, deixando as palavras guiarem.
Dia bom para se cansar do mundo!


Ou vai acabar tudo num conto.

Voltar para cá sem mais o compromissos do noticiário.
A vida segue e eu, embora não esteja mais entregando jornais, continuo a postar com a cumplicidade daqueles que ousaram desfrutar desta página.
Um blog muito mais pessoal do que profissional. Um apunhado de constatações sensoriais e perceptivas, muito maior que os dramas sofríveis do trabalho.
E entre tantas idas e vindas, entre empregos exaustivos e diversões paralelas... Simplesmente um mero devaneio passageiro.

- Melhorando?
- 42 de 60.
- Acho que é uma boa probalidade.
- Falta a dissertação. Ou vai acabar tudo num conto!

Into The Unknown

É a melhor coisa que se pode esperar. Absolutamente nada!
Agora deixo esse lugar, deixo essas frases, deixo minha mente urbana, e parto para o desconhecido.
Não sei o quê vou encontrar. Tampouco o que irá acontecer.
Essa dúvida mete medo em muitos.
Eu, dou gargalhadas e digo vem... It's coming.
Que meu próximo registro traga a novidade, para o bem ou para o mal.
Me despeço com Ramones! Com uma daquelas músicas que dizem muito e, em poucas palavras, deixam a vida mais simples e mais fácil.
Divertam-se...


PS: Eu estive nesse show épico no antigo Bar Manara-POA

Capitulo III


- Por que tu acha que não iria conseguir?
- Porque eu sempre me fodo.

“- Why you crying Smeagol? Gollum, Gollum.
- Cruel man hurts us, master tricks us.

Olhe ao seu redor, não há ninguem por perto. Talvez os ecos que saem da sua boca.
Olhe para o espelho. Somente sua própria imagem refletida. Dentro do quarto, computador ligado, música alta.
Já passam das 02 A.M., porém uma voz silenciosa te questiona. Ela silencia enquanto pensas, emudece enquanto escreves. Porém quando falas, mesmo que liricamente, balbuciando algum som do Nirvana, ela responde.
Olhe pros lados, olhe pra trás, pra fora da janela ou dentro de si. Nada. Nem um ruído.

- Talvez eu esteja louco. - Diz, em voz alta.
- Acho que surtado seria mais apropriado. - Essa frase ecoa pelo quarto, apesar de seus labios não terem se mexido.
- Será que eu tenho dupla personalidade, afinal sou geminiano...
- Não viaja, tu não é Tyler Durden.
- Então, porque eu converso com uma voz que eu não sei da onde vem?
- Certamente foi porque tu enlouqueceu.
- Negativo! Não como cocô e nem rasgo dinheiro.
- Loucura não é necessariamente ter um disturbio mental...
- É stress?
- Porque tu acha isso?
- Eu vi Me, Myself And Irene.
- Não pira, tu não é o Charlie...
- Charlie Harper?
- Hank... Desculpe, lembrei da bebida e confundi.
- Eu também pensei no trago. Particularmente uma ceva bem gelada.
- Concordo!


- Voz, por acaso tu é minha conciência?
- Não delira, tu não é a Dolly...
- Mas eu tô descendo o abismo e está escuro pra caralho.
- Estas com medo?
- Se eu conseguisse pesar o medo diria que tá valendo.
- Não é possivel que não exista nada de coragem aí...
- Novamente, se desse pra pesar, diria que os culhões vieram nos dedo.
- Faz parte...
- É que, tipo assim, eu sei o quê tenho que fazer...
- O quê falta?
- Sei lá, um pouco de vontade, um tanto de disposição, outra parte de interesse...
- Acho que você precisa de uma namorada!
- Obrigado Cap. Jack Sparrow.

Dessensibilização dos sentidos

A crise do escrever tem reflexos diretos com o maldito bem-estar, ou mal-estar... Longitude e latitude alinhadas atrás do azimute da vida.
Numa inconsciente falta de idéias tento me livrar dos sentidos, todos eles, e perceber o mundo ao meu redor. Talvez tenha ido longe demais. O trem da loucura só tem passagem de ida e a última estação e tão longe que tu não consegue mais voltar. Eu saltei do trem em movimento, me quebrei todo, mas mantenho, por enquanto, um quase-nada de sanidade.
Derivações potencialmente agravadas de um estado lastimável e incurável? Agarro com força as últimas cartas do baralho, mas elas se esvaem dos dedos, como fumaça no ventilador. Prego quadros na parede na tentativa de encontrar o que sobrou. O quê fazer quando as questões morais, as questões filosóficas e as questões sociais não fazem mais sentido?
Mude a cena e agonize no quarto vazio. Timbres melódicos, música urbana, clichê underground. Só a música sobra. Só RADIOHEAD entende. Enjoy...!




Depois da tempestade vem a calmaria e vice-versa

Depois de uma era dark, finalmente brilha a luz do sol. Estou, agora, desfrutando os benefícios do meu novo computador. Bagual pra caralho. Os espólios da fase ruim que passei por algum tempo no passado, ficaram por lá mesmo, no passado. Abaixo um conto escrito durante esse momento sinistro.

19/08/2011: Com puta dor!

Primeiro o computador se entregou. E se entregou literalmente. Eu ligava ele e até conseguia iniciar o sistema. Mas então ele desistia no meio do caminho. Como se a CPU não quisesse viver.
Depois foi o relacionamento. A sacanagem da vida estava gostando da brincadeira. Até houve uma tentativa de recuperação do controle da situação. Mas isso também se tornou uma peça bem pregada. Mais uma arriada. 
Mas desgraça pouca é bobagem, dizem por aí.
No sagrado futebol de quinta-feira o bagulho perdeu completamente o charme do improvável e se transformou num maldito carma. Foi um chute e uma lesão. Bravamente continuei , mas uma bolada na cara e depois o inevitável agravamento da lesão anterior derrubaram a minha moral no chão. Agora eu tento dormir, contorcendo-me de dor, na cama, procurando o motivo que me levou a querer ver TV antes de recolher-me. Pois foi tão óbvio quando o televisor parou de funcionar, que eu só poderia dar risada.
Nem de frustração e nem de raiva. Porque eu sabia que mais coisas viriam.


Gatos, baratas, lagartixas e uma lua sorridente

Não tenha pressa, eu não vou demorar.
Saio de casa e me deparo com uma lua sorridente. Minguante é como dizem. A noite está agradável e o sono embala minha caminhada. O dia foi puxado, o sono veio pesado, mas o compromisso segue. Segunda-feira, terça-feira, quarta-feira...
Caio na rotina e encontro gatos no caminho. Criaturas adoráveis e sorrateiras, eles caçam as baratas e lagartixas da rua. Cada um com seu paladar. Eles visualizam a minha aproximação e se esquivam. Observam atentamente os meus passos longos e demorados, quase cambaleantes. Nos encaramos, trocamos olhares, e eu sinto neles a liberdade. E eles sentem a minha prisão. E se vão! Um atrás da barata, outro com uma lagartixa na boca e eu torcendo pro fim-de-semana chegar logo e poder extravasar.

Galeto da Dominical II

Após um desabafo contundente e cheio de emoção, entro na fase de contradição.
Mais um deleite pros olhos, além dos meus. Viva o verão, viva o shortinho!





Qualquer tipo de identificação será omitida. Não quero ser processado.

Se alguma menina se reconhecer, sinta-se lisonjeada.

A entrega rola ao som dos Walverdes!


Ação e Reação by Walverdes

Há uma conexão entre a ação e a reação
Entre o ínicio e a conclusão
Entre o futuro e a solidão

Ação e reação, ação e reação, ação e reação

Mas não dá para prever
Se você vai ganhar ou você vai perder
Não tente adivinhar ou você vai sofrer
A vida é assim... Ação e reação!!!

Eu vou vivendo!

Criar um mundo inteiro de idéias e eu, aqui, com a cabeça vazia.
Leio Nietzsche, leio Bukowski e tento me distrair, mas só consigo fumar um cigarro.
Tento não pensar nas oportunidades perdidas, em contradição a tudo que quero criar.
Não existe nada de bom nesse impasse. É algo casual. É DESTINO.

Só me sobram quilos e quilos de melancolia. Como se desse para pesar sentimentos.

Jogo fora o cigarro e faço do lixo um alvo, pronto para ser abatido.
Onde estarão os ônibus pra me tirar desse lugar?

Galeto da Dominical

Esse blog foi criado para transcrever os acontecimentos que rolam durante a entrega. Após alguns posts, os quais me dei ao luxo de falar sobre coisas pessoais, voltamos ao propósito original.
Já mostrei à todos como funciona o dia-a-dia do entregador pela madrugada, porém faltou (e sempre falta algo) falar sobre o sábado à tarde.
Sábado de tarde é quando eu entrego os jornais de domingo. Não existe nenhuma diferença pontual às entregas noturnas. Exceto o fato de ser de dia.
Olha só, toda entrega têm seus prós e contras, seja ela diurna ou noturna. E, pra não me perder na repetição, minha mente insana acendeu uma lâmpada e, quase antes dela queimar, me alertou pra uma diferença gritante da entrega noturna: as pessoas.
Sábado é o dia em que eu sou obrigado a interagir com as pessoas. Não por falar ou ter contato. Mas, diferente da noite, eu vejo muitas delas. E vejo muitas mulheres.
Como todo bom brasileiro, que adora curtir um rabo de saia com o canto do olho, eu vou postar uma foto, todo domingo, de um galeto que chamou minha atenção durante a entrega. Pra rapaziada.
As gurias que acharem que é machismo, eu posto (num futuro distante) algumas fotos minhas em poses sensuais. UAHUIHAUIHAIUAHUIAHUHUHAUHAUI.
Ou elas podem ir comigo na entrega e tirar fotos dos machos. Quero só ver!

O primeiro Galeto da Dominical será a mina que fez surgir essa idéia na mente. Eu estava indo pela Protásio e lá longe eu vi ela. Em questão de segundos me veio a idéia e, até pegar o celular, tirar do bolso, entrar no modo câmera e bater a foto, bom... quase que eu a perdi. Foi tão rápido que ao ler essa frase, imagine, tudo já tinha acontecido. Mas eu tirei a foto e vocês que vão me dizer se merece ou não ser o Galeto da Dominical.


Tudo é vai e volta

Aparentemente nós, humanos sentimentais, só damos o devido valor para aquilo que temos depois de perder. Mas, e existe sempre um porém, o fato de perder algo, ou alguém, acontece pelo simples motivo de termos ele.
Eu fico extremamente feliz por sentir falta desse amor perdido. Não feliz pela perda, entretanto, feliz por tê-lo vivido intensamente ao ponto de perceber essa ausência.
Seres (ir)racionais como nós acabamos esperando o desfecho perfeito, como uma novela mexicana.
Somos racionais o suficiente para seguir em frente, mas irracionais ao ponto de fazer qualquer merda, somente para esquecer essa angústia.
Ganhar e perder fazem parte da vida. São dois opostos indispensáveis e irrefutáveis. Como vida e morte, sim e não, calça ou bermuda, verão e inverno, dia e noite, loucura ou sanidade, sapiência ou bbb... e por aí vai!
Agora, adequar-se à essas oscilações têm um preço. Um valor que, à princípio, é caro demais para pagar. Até tu dar a outra face, o outro lado, da moeda.
Quero dizer que sou feliz, por ter amado, sentido, chorado e vivido. Sou feliz por ter me enganado, desconfiado, por não ter acreditado e ter perdido. E acabar perdido.
Todas aquelas frases prontas resumiriam isso, contudo tem uma que eu acho ótima: "a noite é mais escura antes de amanhecer" - (Harvey Dent/Duas-Caras em Batman: The Dark Knight).
E, por causa disso, eu acredito em dias melhores. Acredito nas pessoas que deixei para trás e que, num encontro casual, sabem que nada mudou. Porque elas sabem, eu sei, que não foi tempo perdido. Foi só um aprendizado significativo e que pelas suas consequências, eu estou melhor.
Desde já quero agradecer a esses que estiveram do meu lado em momentos complicados, e nem sequer sabiam o quanto me ajudaram. Dika, Lúcia, Lú do Rosário, Fabris, Adriano, Viny, Lili, Sanhudo, Hélio e Luciano, Cabelão, Jeferson, Papel, Jera, Rafael Salazar, Rafa Becker. E principalmente o Renato e a Geci (esses dois, mais que especiais, por me darem o privilégio de fazer parte da família através do meu afilhado Rômulo).
Eu sigo em frente e - graças a todos (e muitos outros) - posso cair, me levantar e manter o caminho. Fazendo de tudo pra gente ficar em paz.
Só sei que o processo é lento, e tudo vai e volta.

Acabou a guerra!

Como estou hoje: melhor que ontem e pior que amanhã.
São essas angústias da vida, que acabam retirando toda a emoção de viver. Problemas, problemas e desafios.  Acabo percebendo uma triste realidade, impulsionada pelos últimos acontecimentos, toda a euforia foi em vão e tudo pelo que eu lutei nos últimos anos, perdi.
A ironia é que a comoção ficou perdida, entre os espólios da guerra. 
Estou mais frio, mais forte e incapacitado de sentir a chuva na cara, ou uma leve brisa refrescante.
A partir de agora afundo-me nos meus trabalhos, e assim distancio-me cada vez mais de uma interação humana saudável.
E assim observo a poeira baixar e toda a destruição vêm à tona. Um jeito honesto de encarar o futuro.
Se você quer um conselho chegou tarde, muito tarde. Porque agora não estou conseguindo ajudar a mim mesmo. Só o tempo cura todas as feridas, . Algumas melhores que as outras.

Não ter o quê escrever deve ser a pior coisa pra quem escreve... Mas não é por falta de histórias, momentos, situações etc. Tudo aconteceu como tinha que acontecer, mas faltam palavras pra transmitir ao grande público.
Posso falar da prova de concurso que fiz, totalmente bêbado; ou talvez de alguma jornada combinada com uma entrega deprimente; ou então, sobre minhas aventuras pelos buracos e sarjetas de Porto Alegre. Só que nada disso me inspira...
Vou deixar aqui um texto antigo, escrito no celular. Só pra não passar em branco a semana.


A Maldita Tentação


Eu não consigo mais me afastar do desejo. Quero tudo e acabo não tendo nada.
Somente a triste lembrança da ruína sem fim, que é a solidão.

O Dilema de D'Alessandro

Honestamente, e depois de ter lido todas as notícias e comentários sobre, não sinto vontade de que D'ale fique aqui.
Muitos e muitos passaram por essa transição. Até filmes conceituados já falaram disso. Ou você morre como herói, ou vive o suficiente para se tornar o vilão.
O argentino sabe disso!
Se ele ficar, e o Inter não levar essa Libertadores, todo mundo vai cair de pau em cima dele. Porque ele era o 10, porque ele fazia o time funcionar etc...
Se ele sair, vai ser consagrado, idolatrado por toda eternidade, subirá aos níveis de Bodinho, Falcão, Taffarel, Fabiano Cachaça.
D'Alessandro é um simbolo do INTER. Acho que o melhor símbolo dessa era vencedora. Muito mais que o Fernandão. Sabe porquê?
Porque eu vi ele tentar dar pau num corintiano, numa final perdida, só pra conseguir uma vantagem.
Ou vocês acham que ele queria briga??? Ele queria era tirar um do time deles, pra ver se no 10 x 10 a gente virava aquela merda.
Ele fez, nessa final em 2009, o que ninguém fez em 2005! Ele vestiu a camisa COLORADA e disse: "vocês não vão levar de novo! Não sem briga!"
D'Alessandro veio pro Inter e, paixão a primeira vista, honrou o manto vermelho. Trouxe uma Sul americana, uma Libertadores e uma Recopa. Não trouxe o mundial porque, não só ele, mas todos os jogadores se apequenaram...
Então eu vibro, por esse ídolo, e choro, pela perda, mas nunca perco a esperança!
E que venham outros como ele...
Que sintam ao máximo essa paixão de ser COLORADO!

As Entregas

Olha só como funciona a entrega de jornais...
Minha primeira experiência foi com a Zero Hora. Faz mais de 5 anos e, certamente, algumas coisas mudaram. Mas o modus operandi segue o mesmo.
Em algum lugar da cidade, no CD (Centro de Distribuição), o entregador esperar a "capa". A "capa" é a parte principal do jornal. É a primeira (pra quem lê) e a última (pra quem entrega) parte do jornal. Antes disso, tu tem o "interior" e os encartes.
O "interior" são os cadernos da ZH. Segundo Caderno, Sobre Rodas, Classificados etc. Os encartes são os anúncios de propaganda que as empresas pagam para saírem no jornal.
Tu chega lá e, obviamente, tem que colocar os encartes dentro do interior", e esperar pela "capa". A "capa" chega e tu põe o "interior" dentro da "capa". Parece complicado lendo, mas é barbada.
Feito isso, tu carrega a Kombi que te leva pra tua rota.
A rota é todo o percurso que o entregador segue durante a entrega. Na minha época de ZH eram 2 entregadores para 1 Kombi. O Beto (motorista do Kombi), eu e o baixinho.
A Kombi te deixa num lugar pré-determinado, com a quantidade de jornais certas e, conforme a entrega evolui, vai largando as "malas" pra continuar a entrega.
As "malas" são separadas por quantidade e local. Tipo: tem 50 jornais pra entregar em determinada rua, tu não sai com os 200 ou + no colo. Tu sai com a quantia necessária  para fazer aquela parte. E quando termina, geralmente, a kombi deixou a próxima "mala" para o próximo setor. E por ai vai. Se tu for mais rápido que a kombi, te fudeu. Vai ter que esperar. Porque o motora da kombi também entrega alguns jornais. Mas isso é detalhe, afinal a sincronia quase sempre dá certo.
No Correio do Povo é mais interessante. Porque tu não precisa ir pra um CD. O caminhão deixa a mala em pontos estratégicos e pré-determinados. E o horário é mais flexível. Na ZH tu precisa bater o ponto, no CP só precisa assinar o recebimento da mala.
Recebida a mala, assinado o recebimento, é tu por ti mesmo. Não precisa esperar alguém ou ter interrupções durante a entrega. Tu recebe a quantidade X, e entrega ela. Sem burocracia, sem gueri-gueri, sem xalala.
Eu atualmente entrego em torno de 100 jornais do CP, toda noite. Comparado a ZH, preferia nem ter feito ZH. Na ZH perdia quase toda noite. Afinal tinha que ir pro CD bater cartão, e depois perdia a noite inteira entregando: dependendo dos outros, por ser muito extensa a rota, por ter muitos assinantes, etc. No CP eu gasto 2 horas da minha noite, não dependo de ninguém, e tenho um horário bem flexível.
Essa é minha vida por enquanto, e essa vida alimentada esse blog.

Times Like These

Desde que eu comecei essa aventura (alguns dizem emprego, outros dizem que eu tô me fudendo, mas pra mim, não passa de uma aventura com fins lucrativos), sempre me perguntei como seriam os dias de chuva.
Não que eu não soubesse como são. Pros desavisados eu digo, não é minha primeira experiência nesse trampo. Mas, e talvez por já saber como as coisas funcionam, eu estava ansioso pelo dia de chuva.
Das minhas mais remotas recordações eu lembro de ser foda, mas do tipo, carregar 200 ZH's debaixo de uma chuva infernal, com uma capa de chuva indigna e que não te protegia absolutamente nada, e querendo largar tudo pro ar e sair correndo.
Lembrar disso já me deu calafrios...
Mas agora o momento é outro, a situação é outra e, principalmente, my lifestyle is another.
Eu ainda me gabava com meus colegas de entrega, dizia: "faz 1 mês que eu tô nesse emprego e não peguei nenhuma chuva". Eles deram risada, achando que eu nunca tinha passado por isso.
Justamente nesse dia caiu o mundo. Nos jornais que eu entregava, a capa, ou seja, a matéria principal falava sobre a seca e a estiagem no RS. Mas quem dá bola para o que está escrito no jornal?
O mundo caiu e não caiu em cima de mim porque eu sou dinâmico. Fui, assinei, peguei, encartei, entreguei e, quando o tempo fechou, já tava em casa. Começando uma maratona de filmes de super-heróis.
Acontece que o destino sempre cobra seu preço. E ele cobrou no mesmo dia, só que mais tarde.
Em outro post explico como funcionam as entregas!
Velho... eu tava vendo os filmes dos heróis e talvez tenha me achado um. Tava caindo um caldo na hora que eu sai. E eu achei que tava susse, até botar meu pé esquerdo na poça. Depois, o direito. E, se isso não bastasse, tinham os carros que passavam pelas poças da estrada e chuáááá...
Continuei, firme e forte, porque isso têm que valer a pena.
E bem na finaleira da entrega, esse tempo me dá alguns minutos de paz.
Ótimo, pensei comigo. Afinal; já estava com os pés encharcados, meu guarda-sol (melhor que sombrinhas e guarda-chuvas de camelô) estava nas últimas, e meu jornal imaculado (não sei como).
Não foi tão drástico, como eu pensei. Tampouco injusto, como já foi. Foi simplesmente mais um dia. Ruim, com certeza. Mas com aquele sentimento de que, foi ruim hoje, melhor que ontem e pior que amanhã.
Eu só tinha que saber como seria... descobri, e não foi tão desagradável. Já passei por isso e sei que dias piores estão por chegar...
Conclusão: anos pares não me favorecem, a menos que brilhe um bilhete premiado da loteria.

Parceria não se escolhe, ela te acha

O quê que um carinho não faz...
À vários dias atrás essa cadelinha apareceu singelamente no meu caminho, enquanto estava indo fazer minha entrega.
Eu dei-lhe um cafuné bem gostoso e segui meu caminho, afinal não havia nada o que fazer.
Mas para minha surpresa, ela começou a me seguir. Achei que ela tava muito carente, e eu havia lhe dado um conforto nessa vida difícil. Mero engano.
Essa parceira me acompanhou durante todo o meu trajeto de entrega. Ia na frente, vasculhando o perímetro, tentando localizar alguma maldade que poderia nos afetar.
Eu achei que no primeiro prédio que entrasse ela seguiria seu rumo. Segundo engano da noite.
Ela se postou na frente do prédio e não arredou até que eu saísse. E por ai foi...
Têm esse outro cusco maldito, que fica na espreita, esperando alguém passar. E sai latindo, todo nervoso, espantando todos que passam por aquela rua. Ele sempre me dá inúmeros cagaços. Nesse dia ele não contava com minha companheira e foi tão lindo o que aconteceu, que eu morri de amores por ela.
Ela passou por ele e ele nem deu bola. Como ela estava sempre na frente, achei que tava liberado. Mas não. Ele veio, com seus latidos estridentes e seus caninos de fora, pronto pra morder e defender seu território. Mas não contava com minha lindona, que voltou lá da frente e se botou no cusco, num duelo tão lindo e um pouco brutal. Eu nem me mexi, aterrorizado e sem saber como fazer aquilo parar. E assim como começou, terminou. O cusco voltando com o rabo entre as pernas e minha guerreira balançando o rabo, toda animada, como que dizendo: "agora tá sossegado!"
Voltei pra casa, catei umas sobras de rango e um pote de água e, com o coração na mão, me despedi dessa nova amiga noturna.
Me senti um lixo fudido, por não poder dar abrigo e carinho pra alguém que cuidou tão bem de mim.
Espero que ela esteja bem e tenha encontrado um belo lar.
Ainda sinto saudade dela, especialmente quando esse cusco maldito vem latir sua raiva contra a minha pessoa.
Detalhe, ele ficou uns dias na moita e só depois eu percebi, ele estava mancando e todo mordido. Minha amazona deu um pau nele, estilo Anderson Silva.

Sono vs Mosquitos

Fico de butuca, esperando na cama, escondido debaixo dos lençóis. Aparece um, não, são dois. Dizem que eles sempre te atacam em dupla.
A fêmea, com seu zumbido infernal, distrai a vítima numa tentativa de desorientação. Enquanto isso o macho voraz penetra a nossa pele, com simples picadas, tentando sugar teu sangue dívino. A pobre vítima termina o serviço, arranhando a pele, em busca de alívio, mas abrindo as feridas necessárias para fazer o sangue jorrar.
Tap, bloff, catabum, plaff...
Entre socos e tapas, acerto um. Muito pouco para esse momento caótico. No escuro me sinto um idiota, esmurrando e estapeando meu próprio corpo. Assim fica difícil contornar a situação.
Preciso dormir!
Ligo as luzes e me deparo com um enxame (ou qualquer que seja o coletivo para mosquitos). Olho ao redor e vejo duas carcaças mortas.
Esses mosquitos não vão me dar trégua.
Me concentro ao máximo, numa tentativa desesperada de mandar mais um deles pro inferno.
Trin-trin-trin... Trin-trin-trin... Porra do caralho de despertador...
Diabos, já é hora de ir entregar.
Desisto da guerra e deixo o sono pra mais tarde. Saio pensando ser necessárias medidas mais extremas.
Saldo da noite: 2 deles mortos, dezenas de picadas e hematomas em mim.

Novidades habituais

Geralmente as entregas são tranquilas.
É muito difícil acontecer algo que mude o curso natural da entrega.
Mas hoje algo inusitado e surpreendente aconteceu...
Um morador de rua chegou e trocou uma idéia comigo, nada muito relevante. Mas ele parecia me conhecer. E lembrava de mim como se fosse ontem que nós tomamos uma ceva junto. Tipo brother mesmo. E eu atucanado pra acabar logo o trampo, me esquivei e fui cumprir o meu dever.
Mas agora matutando, com quantos mendigos eu já não troquei uma idéia. Com quantos já não paguei uma ceva simplesmente pra deixar o papo fluir.
Viradas de noite e simplicidade acabam conquistando a todos.
Queria ter um tempo real pra me envolver e escutar. Porque as vezes as pessoas só precisam desabafar...
E acabam se reclusando por não ter alguém para lhes ouvir.

Santo dia

Não é todo santo dia que as coisas caem do céu. Tampouco o karma te favorece logo após uma boa ação.
Mas existem dias em que as coisas se encaixam. Nesses momentos eu evito dizer que as coisas dão certo. Porque "dar certo", "ser bom", é tudo um subterfúgio para algo que vai dar errado/ deu errado.
Nesse momento especifico um cara me pediu um cigarro, banal e simplorio, e eu dei o cigarro. Então ele me convidou pra fumar um. Eu disse que pilhava, mas não tinha. Ele fez a mão de botar, mas nós dois tinhamos que sair da parada, pra não dar bandeira disse ele. Eu desconfiei e não fui. Tava esperando o bus e não queria perde-lo. Esse cara disse pra mim bem assim: - Ah.. Então se tu pagar minha passagem eu lanço uma cara pra ti. E eu: - fecho todas!
Vou entregar agora, e despues.... catch a fire!

Uma nova visão

Ter um emprego noturno é algo complicado. Não basta apenas disposição, auto-confiança ou insônia. É preciso culhões e uma baita necessidade.
Eu sei disso porque conheço uma porrada de pessoas com as características certas para isso, mas que não moveriam uma palha para correr atrás.
Digo isso somente para confirmar o que é obvio: é foda trabalhar na noite.
Nem é pelo estresse, nem por dormir pouco... É o simples fato de que acontecem coisas bizarras e inimagináveis nesse tempo. E se você acha que já viu acontecimentos estranhos de noites, bêbado e voltando de uma festa, num dia qualquer, numa noite qualquer, eu digo: VOCÊ NÃO VIU NADA!